O Templo e o Ritual - VI - Oficina REAA

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RITO ESCOCÊS DO BRASIL   -   VI


O Templo e o Ritual







              No ensaio V da série Rito Escocês do Brasil o giro em Loja foi parcialmente descrito com ênfase na circulação por trás das Luzes e das colunas zodiacais, um procedimento inédito, sem precedência em rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito. Para complementar, está sendo apresentado o desenho do templo dos rituais de 1928 das Grandes Lojas brasileiras em que foram desenvolvidos esses movimentos.  


              Antes de 1928, quando ainda não havia Grandes Lojas, os trabalhos simbólicos do REAA eram realizados nas Lojas Capitulares do Grande Oriente do Brasil e dos Grandes Orientes estaduais. No GOB os rituais de Aprendiz, Companheiro e Mestre tiveram a última edição atualizada em 1926 com a inscrição – “Ritual Adoptado pelo Sob. Supremo Conselho do Gr. 33 do Rit. Esc. Ant. e Acc. para os Estados Unidos do Brasil – Rio de Janeiro – 1926 (E.V.).” Edição de dois anos anteriores à criação das Grandes Lojas. Apesar de possuir em mãos essa edição recente de ritual dos graus simbólicos do REAA, o mesmo Supremo Conselho que homologou o ritual de 1926 premeditou um ritual diferente a ser usado em 1928, depois da cisão. Um ritual que criasse incompatibilidade ritualística do simbolismo das Grandes Lojas com o das Lojas Capitulares que permaneceram no Grande Oriente. A ruptura com o GOB despertou ressentimentos de Mário Behring e seus pares do Supremo Conselho que não se satisfizeram em mudar os rituais que possuíam, inventaram outros e os creditaram também ao REAA.


              Em 1928 morreram na maçonaria brasileira os rituais originais franceses do REAA e nasceram os rituais plagiados pelo Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito.


              A partir daí surgiram novidades impensáveis para o escocesismo. Uma, o ensino equivocado que o templo do REAA é o Templo de Jerusalém, chamado popularmente de Templo de Salomão. Nos rituais de 1928 lê-se que os templos maçônicos têm sua origem no Tabernáculo hebreu. O Tabernáculo, ou Tenda, era o santuário móvel usado pelos hebreus para os serviços religiosos durante a peregrinação após o êxodo do Egito e até a chegada a Canaã.
A maçonaria britânica não cristã, oficialmente organizada em 1717, adotou o Templo de Salomão quando decidiu vincular-se a um passado operativo confiável e tradicional. A maçonaria escocesa que começou com os altos graus não se apoiou na história e no prestígio do templo hebreu. Para pesquisadores da Quator Coronati Lodge 2076 a maçonaria britânica buscou inspiração na cultura dos antigos construtores Greco-Romanos de templos para valorizar a figura do “pedreiro livre” como construtor social, fazendo analogia com obras de arquitetura suntuosa e perfeita. O Templo que Salomão construiu para a habitação terrena de Deus, conforme o Antigo Testamento, foi erigido à condição de símbolo de obra perfeita pelos maçons da Grã-Bretanha. Com o templo hebreu a primeira Grande Loja de Londres de 1717 construiu a analogia que serviu de referência para o trabalho dos pedreiros especulativos na caminhada em direção ao aprimoramento pessoal.


              A maçonaria anglo-saxônica escolheu o Templo de Jerusalém apenas como paradigma, mas os rituais das Grandes Lojas brasileiras vão além; consideram o templo maçônico a reprodução do Templo de Salomão e a cadeira do Venerável Mestre o Trono de Salomão. Os rituais das Grandes Lojas criaram um Trono de Salomão no Templo de Jerusalém onde não há Trono e trouxeram o Mar de Bronze para dentro do templo, quando na Bíblia está fora junto com o Altar dos Sacrifícios.


              Nos rituais originais franceses o templo dos graus simbólicos do REAA não é o de Salomão. É a natureza, um templo que tem como cobertura o céu estrelado e simboliza as 12 casas zodiacais através da corda de doze nós. A largura vai de Norte a Sul e a altura até o céu. Para o escritor Marius Lepage a maçonaria francesa mostra-se com duas correntes de influência: a operativa oriunda de forma genérica dos antigos construtores e a especulativa idealizada pelos Hermetistas e filósofos Iluministas franceses. O conteúdo hermético e metafísico inclui a corrente templária. As origens templárias ou herméticas aparecem nos rituais dos Graus Superiores do Rito de Perfeição, que antecedeu o REAA, a partir da segunda metade do século XVIII.


O templo desenhado nos rituais de 1928 das Grandes Lojas, reproduzido no início deste ensaio, mostra uma arquitetura diferente como parte das novidades lançadas pelo Supremo Conselho.

Venerável Mestre: no desenho do ritual de 1928 há sobre o estrado apenas uma cadeira. Nas Lojas das Grandes Lojas há 3 cadeiras atualmente.
Ex-Veneráveis: situam-se abaixo do estrado e à direita do Sólio. Nenhum Ex-Venerável senta-se ao lado do Venerável Mestre.
Estátua de Minerva: presente no lado esquerdo do Venerável Mestre, abaixo do estrado.
Porta Espada e Porta Estandarte: são localizados lateralmente ao Venerável Mestre. Não ficam na entrada do Oriente como atualmente nas Grandes Lojas.
Altar dos Juramentos: no Ocidente próximo aos degraus de acesso ao Oriente e não no centro do Ocidente como atualmente.
Quadro da Loja: no centro do Ocidente no lugar que hoje é usado para situar o Altar dos Juramentos.
Arquiteto e Mestre de Banquete: o desenho mostra-os na Coluna do Norte junto dos Aprendizes, próximo da balaustrada. No ritual de 1928 sentam no lugar destinado atualmente ao Aprendiz mais recente.
Hospitaleiro e Diretor de Harmonia: na Coluna do Sul, junto dos Companheiros e próximos da balaustrada. Na planta do ritual de 1928 sentam no lugar destinado atualmente ao Companheiro mais recente.
Estátua de Vênus: está presente próxima e atrás do Segundo Vigilante.
Estátua de Hércules: está presente próxima e atrás do Primeiro Vigilante.
Colunas zodiacais: não estão desenhadas.
Pedras bruta e polida: na planta baixa estão identificadas pelas letras B e C e localizadas junto às Colunas B e J.
Castiçais com velas: não estão apontados na planta baixa do templo os três castiçais que complementam o Altar dos Juramentos na ornamentação atual.


              O Supremo Conselho afirma que o ritual de 1928 está valendo e deve ser obedecido. As Lojas das Grandes Lojas acatam essa planta baixa do templo? Onde estão as pedras bruta e polida? Onde senta o Ex-Venerável mais recente? Onde está o Altar dos Juramentos? As estátuas estão preservadas? A planta do templo não mostra colunas zodiacais, mas elas estão presentes.


              Esse é o templo que o Supremo Conselho do Grau 33 desenhou em nome do Rito Escocês Antigo e Aceito para as Grandes Lojas brasileiras. A pesquisa em muitos rituais nacionais e estrangeiros do REAA mostra que nenhum possui disposição interna de ornamentos e dos cargos que tenha a mínima semelhança. Não há precedência. O Supremo Conselho do Grau 33 exige que as Grandes Lojas respeitem coletivamente a precedência dos rituais cedidos em 1928, mas não respeitou a precedência dos rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito praticados desde 1804.


              Para reflexão, lembrar o escritor irlandês Oscar Wilde quando disse: A verdade raramente é pura e nunca é simples.”


Ailton Pinto de Trindade Branco
Presidente da Oficina de Restauração do REAA

Fevereiro/2015
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